- Bastidores da Usborne
Como os sons e as músicas entram nos livros da Usborne
Muitos dos nossos livros têm chips com música, sons de animais, barulhos de máquinas e afins. O compositor e produtor musical Anthony Marks nos conta um pouco sobre essa etapa do trabalho.

Anthony Marks trabalhando em um de nossos livros musicais.
Música e diversos sons fazem parte de algumas séries da Usborne. Eu sou o responsável por produzir todas os efeitos sonoros e garantir que todos tenham a mais alta qualidade: de composições clássicas de Vivaldi para o livro As quatro estações e botões nas páginas de Barulhinhos da floresta a acompanhamentos para livros com teclado e bateria.
Nos estágios iniciais da criação de um material, trabalho com os editores para encontrar a música ou os sons certos para a história. Às vezes precisamos de peças clássicas específicas e de trechos que se encaixem perfeitamente no enredo e nas ilustrações, como As quatro estações (Vivaldi), O quebra-nozes e O lago dos cisnes (Tchaikovsky). Isso significa pegar a notação de uma música inteira e inseri-la no computador, criando, com a ajuda de um programa, uma orquestra digital que reproduza a música.
Depois, seleciono a seção mais adequada (muitas vezes uma pequena parte de uma composição bem grande) e crio, em estúdio, clipes de som. Para música clássica e compositores famosos, tento me aproximar ao máximo do original.
Às vezes componho a faixa completa. Como foi o caso do hip-hop e do reggae para Meu livrão musical – bateria e de trilhas sonoras para histórias da série de leitura da Usborne First Reading, ainda não lançada no Brasil. Então, uma vez aprovadas, finalizo o trabalho no computador.

Anthony Marks testa a flauta para Darkness of Dragons, ou A escuridão dos dragões em tradução livre.
Faço os efeitos sonoros de várias maneiras. Gravo alguns em casa ou perto de onde moro, como os patos de Meus primeiros sons divertidos – animais do sítio e os passarinhos de Barulhinhos do jardim. Outros, como os ruídos de Castelo do barulho, crio na minha própria cozinha! E, às vezes, precisamos comprar efeitos prontos, pois, onde moro, por exemplo, não tem orangotangos!
Cada efeito sonoro que produzo, seja música, sejam sons, seja uma combinação dos dois, tem que estar devidamente preparado para a publicação. O volume precisa ser certeiro – muito baixo não serão ouvidos, muito alto soarão distorcidos. O tamanho deve ser adequado, além de começar e acabar com suavidade. Além disso, se crio um áudio para um livro que ensina a tocar (como a série de flauta para iniciantes), é essencial que os sons correspondam exatamente às notas das páginas.
Eu amo meu trabalho porque consigo combinar música e outros sons. Cada projeto é diferente, então sempre há novos desafios, além de ser necessário utilizar uma variedade de habilidades e técnicas. Meu gosto musical eclético me ajuda a encontrar a peça certa para cada projeto e a compor em variados estilos. Então, para finalizar, conto com minhas habilidades de computação e áudio. Além disso, adoro trocar informações com editores e designers para alcançar os melhores resultados possíveis.
O trabalho requer paciência, persistência e senso de humor. Uma das dificuldades que às vezes encontramos é que o barulho que um animal faz na vida real não corresponde àquele que imaginamos (por exemplo, a maioria das corujas realmente não diz “uh, uh, uh...”, e muitas espécies de sapo não fazem “coach”). Nesses casos é importante equilibrar as possibilidades e o que os leitores esperam.
Às vezes é difícil prever exatamente que tipo de música é necessário – só temos certeza ao ouvi-la. Por isso, é importante ser criativo e estar preparado para muitas tentativas até encontrar a solução certa. E, acima de tudo, é preciso confiar nos ouvidos e se perguntar: esse som desaparece muito rápido? O equilíbrio entre a voz e a música está certo? Esse piano… parece mesmo uma coruja?